Arranjos
Usamos arranjos quando escolhemos certa quantidade de objetos de um conjunto e a ordem em que os escolhemos importa.
Dedução da fórmula
Vamos começar com um problema típico de arranjos: em uma cidadezinha, todo ano acontece um concurso para ver quem come mais coxinhas. Sete competidores bem lambuzados chegaram à final. Calcule de quantas maneiras esses sete participantes podem ocupar os três primeiros lugares.
É importante perceber que, neste exemplo, a ordem importa. Por exemplo, se sabemos que os três primeiros lugares serão de João, Pedro e Lucas, então esse trio gera seis classificações diferentes:
- João, Pedro, Lucas;
- João, Lucas, Pedro;
- Pedro, João, Lucas;
- Pedro, Lucas, João;
- Lucas, João, Pedro;
- Lucas, Pedro, João.
Todas essas são classificações diferentes, e queremos contar quantas classificações diferentes conseguimos montar quando os competidores são 7.
Para isso usamos o princípio multiplicativo. Dizemos que escolhemos ternas da forma (x1, x2, x3), em que x1 é o competidor que terminou em primeiro lugar e assim por diante. Quais competidores podemos colocar no lugar de x1? Todos, ou seja, para x1 podemos escolher entre 7 competidores. Quais podemos colocar no lugar de x2? Todos, menos aquele que já colocamos em primeiro lugar, então para x2 temos 7 − 1 = 6 competidores. Para x3 podemos escolher os competidores que não estão nem em primeiro nem em segundo lugar, e assim temos 7 − 2 = 5 possibilidades. Aplicamos o princípio multiplicativo e obtemos o número total de possibilidades: 7 · 6 · 5 = 210.
Podemos observar que, se quisermos saber o número de possibilidades para os 4 primeiros lugares, para x4 podemos escolher entre 7 − 3 = 4 competidores, de modo que o número total de possibilidades será 7 · 6 · 5 · 4 = 840. O que podemos concluir disso?
Se temos um conjunto com n elementos (aqui, no exemplo, 7 comedores) e escolhemos 3 elementos, sendo que a ordem importa, então o resultado é igual a n · (n − 1) · (n − 2). Para o primeiro lugar qualquer um pode ser escolhido, para o seguinte, um a menos, e assim por diante. Disso podemos deduzir a fórmula geral para a escolha de k elementos de um conjunto com n elementos: o número de possibilidades será igual a n · (n − 1) · (n − 2) · … · (n − k + 1).
Vamos ainda simplificar essa fórmula com a ajuda do fatorial. Se olharmos para o fatorial de sete, 7! = 7 · 6 · 5 · 4 · 3 · 2 · 1, e para o modo como calculamos o número de classificações no pódio, 7 · 6 · 5, vemos certa semelhança. Só precisamos nos livrar do final, ou seja, precisamos dividir 7! por 4 · 3 · 2 · 1, de modo que sobre apenas 7 · 6 · 5. E quanto vale a expressão 4 · 3 · 2 · 1? Ela é igual a 4!.
Assim, podemos escrever que, se temos um conjunto com n elementos e escolhemos k elementos, sendo que a ordem importa, temos ao todo
possibilidades. Substituindo na fórmula os números do concurso de coxinhas:
Calculadora
A calculadora a seguir calcula o número de arranjos para n e k dados.
Exercícios resolvidos
- Vamos continuar no concurso de coxinhas. Como mudaria o número de classificações possíveis no pódio se soubéssemos que o Zeca, que é craque e sempre vence, veio participar do concurso? Ou seja, quantas classificações diferentes no pódio existem se temos 7 competidores e o Zeca vence com certeza?
Isso é novamente um arranjo simples: o primeiro lugar é certo, e dos 6 competidores restantes precisamos determinar de quantas maneiras eles podem preencher o segundo e o terceiro lugares. Escolhemos, então, 2 elementos de um conjunto de 6, o que leva ao arranjo
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Há muito tempo, quando o Zeca ainda não era um craque, ele sempre ficava entre os três primeiros. Quantas classificações diferentes no pódio existem se temos 7 competidores e o Zeca com certeza ganha alguma medalha?
Este exercício difere do anterior porque não sabemos em que lugar o Zeca ficou; ele pode ter ficado em segundo ou até em terceiro, o que até hoje o deixa com vergonha. Por isso precisamos calcular três arranjos diferentes: o caso em que o Zeca venceu, depois o caso em que ele ficou com a medalha de prata e, por fim, com a de bronze. Mas, em todos os casos, sobram apenas dois lugares que outras pessoas podem ocupar. Se o Zeca foi o segundo, por exemplo, os outros participantes podem ter ficado em primeiro ou em terceiro lugar. Calculamos, então, novamente o arranjo de 6 elementos tomados 2 a 2, só que precisamos calculá-lo três vezes, para as três colocações diferentes do Zeca. O número de todas as classificações é, portanto, igual a:
Observe que esse 3 diante do arranjo pode ser escrito como A3,1, porque na verdade escolhemos um elemento (uma colocação específica) de um conjunto de três elementos (as três posições do pódio).
-
Em uma escola há 20 professores. Em breve haverá a defesa de um trabalho e é preciso montar uma banca com a seguinte composição: um presidente, um examinador bonzinho e um examinador carrasco. Quantas possibilidades existem ao todo?
Primeiro precisamos responder se a ordem importa — sim, importa, pois os três professores podem ser reorganizados de seis maneiras diferentes. Agora ficou simples: escolhemos um arranjo de 20 elementos tomados 3 a 3:
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Quantos números de três algarismos podemos formar com os algarismos {0, 1, 2, 3, 4, 5}, se nenhum algarismo pode se repetir?
A ordem importa? Sim, 123 é um número diferente de 321. Quantas ternas diferentes existem? É um simples arranjo de 6 elementos tomados 3 a 3:
Mas ainda precisamos subtrair os arranjos que têm zero na primeira posição, pois 012 não é um número de três algarismos. A pergunta agora é: quantas ternas diferentes começam por zero? Nesse caso, os algarismos variam apenas nas duas posições restantes (as ternas têm a forma (0, x2, x3)), então procuramos quantos pares diferentes podemos formar usando os números {1, 2, 3, 4, 5}. Isso também é simples: A5,2 = 5!/3! = 20. Existem, portanto, 20 ternas que começam por zero.
O número total de números de três algarismos formados com os algarismos {0, 1, 2, 3, 4, 5} é, então, 120 − 20 = 100.
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Quantos números de três algarismos diferentes conseguimos formar com os algarismos {1, 2, 3, 4, 5}, se nenhum algarismo pode se repetir e o número resultante deve ser ímpar?
A ordem importa, porque 123 é um número diferente de 321. Estamos formando um número de três algarismos que é ímpar, o que significa que nas duas primeiras posições pode ficar qualquer algarismo, mas na última precisa ficar um dos algarismos {1, 3, 5}. Primeiro calculamos o número de todas as ternas que conseguimos formar com cinco algarismos: A5,3 = 5! / 2! = 60.
Cada algarismo aparecerá na última posição com a mesma frequência, então, se temos 5 algarismos, cada um deles aparecerá na última posição 60 / 5 = 12 vezes. Temos três algarismos {1, 3, 5} que podem aparecer na última posição, então temos 12 números diferentes que terminam em 1, 12 números que terminam em 3 e 12 números que terminam em 5. Usamos o princípio aditivo e obtemos ao todo 12 + 12 + 12 = 36 possibilidades.
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Calcule x, sabendo que Ax,2 = 72. Dito de outro modo: de um conjunto com x elementos escolhemos pares e sabemos que conseguimos escolher ao todo 72 pares diferentes. Qual era o tamanho do conjunto do qual escolhemos os pares? Vamos escrever:
Em seguida, simplificamos:
Essa já é uma clássica equação do 2º grau, então podemos resolvê-la com o discriminante ou reescrever a equação na forma
da qual já podemos ler a solução: x1 = −8 e x2 = 9. A solução negativa não nos interessa, porque um conjunto não pode ter tamanho negativo, então a solução da equação original é x = 9: o conjunto tinha nove elementos.
Capítulos: Análise combinatória, Arranjos, Permutações, Combinações, Arranjos com repetição, Combinações com repetição, Quantos PINs diferentes existem?