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Binômio de Newton

O binômio de Newton é uma generalização das fórmulas clássicas do tipo (a + b)2 com a ajuda das técnicas de contagem.

Motivação

Com certeza você conhece as fórmulas para calcular (a + b)2 ou (a + b)3:

(a+b)2=a2+2ab+b2(a+b)3=a3+3a2b+3ab2+b3

E uma pergunta natural é se não dá para generalizar essas fórmulas para um número natural n qualquer, isto é, se é possível calcular (a + b)n.

Dedução

Claro que dá, e é justamente para isso que serve o binômio de Newton. Vamos ver como esse desenvolvimento continuaria para n = 4 e n = 5.

(a+b)4=a4+4a3b+6a2b2+4ab3+b4(a+b)5=a5+5a4b+10a3b2+10a2b3+5ab4+b5

Você já deve estar vendo certo padrão. Se temos a expressão (a + b)n, então no lado direito sempre começamos com o termo an. O segundo termo também contém a variável a, mas o expoente é uma unidade menor. Por exemplo: no desenvolvimento de (a + b)4 temos, no lado direito, no primeiro termo a4 e no segundo a3. Cada termo seguinte contém a variável a com um expoente uma unidade menor que o do termo anterior. A variável b, ao contrário, cresce. No início não temos a variável b, ou melhor, temos, mas com expoente zero: b0 = 1. No segundo termo, b tem expoente um, depois dois e assim por diante.

Em tudo isso vale a regra simples de que a soma dos expoentes deve ser sempre igual a n. Se considerarmos o último desenvolvimento, (a + b)5, por exemplo, o terceiro termo é 10a3 · b2 e a soma dos expoentes das variáveis a e b é justamente 5.

A última coisa é saber quais serão os coeficientes (os números na frente das variáveis) de cada termo. Com certeza você nota que esses coeficientes são simétricos: em (a + b)4 temos os coeficientes 1, 4, 6, 4, 1, em (a + b)5 temos: 1, 5, 10, 10, 5, 1. Lembro que a4 = 1 · a4, por isso escrevo ali o 1, mesmo que não o indique explicitamente nas fórmulas. Vamos mostrar outra relação no triângulo de Pascal.

Triângulo de Pascal

O triângulo de Pascal é um auxílio prático no cálculo do desenvolvimento pelo binômio de Newton. O triângulo de Pascal é formado por números, e vale que o número que está embaixo de outros dois números é igual à soma deles. Soa complicado, mas pelo próprio triângulo ficará claro:

Triângulo de Pascal

Olhe, por exemplo, para o número quatro. Acima desse número estão os números 1 e 3. E a soma 1+3 dá justamente 4. Da mesma forma para os outros números.

E como usamos o triângulo de Pascal? Se você olhar para os números de cada linha, vai descobrir que eles lembram muito os coeficientes do desenvolvimento binomial resultante. Por exemplo, em (a + b)2 temos os coeficientes 1, 2, 1, que é exatamente a segunda linha. Para (a + b)4 temos os coeficientes 1, 4, 6, 4, 1, que é exatamente a quarta linha. Se precisamos calcular (a + b)n, basta olhar para a n-ésima linha do triângulo de Pascal.

Definição do binômio de Newton

Formalmente, o binômio de Newton diz o seguinte:

(a+b)n=∑k=0n(nk)an−kbka,b∈R;n∈N∗

O somatório é calculado de zero até n, inclusive. Ou seja, o número resultante de parcelas é n + 1. Aquilo entre parênteses é um número binomial, que é algo da análise combinatória e representa o número de combinações diferentes das quais podemos obter determinado termo do desenvolvimento binomial. O resto são apenas variáveis com os devidos expoentes. Observe que a soma dos expoentes realmente é igual a n: n − k + k = n.

Exemplos

Um exemplo simples: calcule, usando o binômio de Newton, (a + 2b)4. Primeiro olhamos no triângulo de Pascal para a quarta linha. Ela nos diz que os coeficientes terão a forma: 1, 4, 6, 4, 1. Agora só falta ir completando os expoentes. No primeiro termo haverá só a4:

(a+2b)4=a4+…

No segundo termo temos os expoentes distribuídos no par 3, 1, ou seja, obtemos a3(2b)1. Elevar à primeira potência não faz nada com a expressão, então podemos escrever a32b. O coeficiente do segundo termo é 4:

(a+2b)4=a4+4a32b+…

O terceiro termo terá os expoentes 2, 2. Aqui um pouco de atenção: elevamos todo o 2b, ou seja, assim: (2b)2, que é igual a: (2b)2 = 4b2. Escrevemos no desenvolvimento com o coeficiente 6:

(a+2b)4=a4+4a32b+6a24b2+…

O quarto termo terá a forma a(2b)3. Depois de elevar à potência, obtemos a8b3. Escrevemos com o coeficiente 4:

(a+2b)4=a4+4a32b+6a24b2+4a8b3+…

E o último termo será apenas (2b)4 = 16b4:

(a+2b)4=a4+4a32b+6a24b2+4a8b3+16b4.

Agora só falta arrumar um pouco. No termo 4a32b podemos colocar o dois no início do termo e multiplicar 2 · 4 = 8. Surge, então, 8a3b. Se fizermos isso também com o resto, obtemos o resultado:

(a+2b)4=a4+8a3b+24a2b2+32ab3+16b4.

Observe, por favor, que neste momento os coeficientes já não coincidem com os números do triângulo de Pascal.