✖

Equação do plano

O plano pode ser expresso, assim como a reta, de várias maneiras. Vamos começar pela mais simples, as equações paramétricas do plano.

Equações paramétricas do plano

Primeiro, vamos lembrar como determinamos a equação paramétrica da reta p. Escolhemos um ponto A pelo qual passava a reta p e depois um vetor diretor u→. Se somávamos ao ponto A algum múltiplo t do vetor diretor, obtínhamos algum ponto da reta p. Para cada ponto X que pertence à reta, obtínhamos, assim, a equação

X=A+t⋅u→,t∈R.

Com um raciocínio semelhante podemos chegar à equação do plano. Para descrever um plano, precisamos de dois vetores distintos, não nulos, que não sejam colineares, isto é, que não sejam paralelos, e, claro, de um ponto A pelo qual esse plano passa. Os vetores não podem ser colineares para que não fiquem sobre uma mesma reta. Uma só reta não determina um plano: uma reta pode estar contida em infinitos planos.

Podemos pensar também de outra maneira — conseguimos determinar uma reta por meio de dois pontos distintos A, B. Porém, por esses pontos passam infinitos planos; se, no entanto, acrescentamos a esses pontos mais um ponto C, que não pertence à reta AB, aí sim definimos o plano de forma única.

Assim, se temos três pontos distintos A, B, C, podemos construir dois vetores distintos u→=AB→ e v→=AC→. Esses dois vetores e, por exemplo, o ponto A definem o plano. Vamos relembrar a adição de vetores:

Soma de dois vetores u+v

Vemos que, pela soma de dois vetores, podemos obter um vetor que tem coordenadas “entre” esses dois vetores. Somando sucessivamente diferentes múltiplos dos vetores u→ e v→, conseguimos então preencher o plano inteiro. Podemos, assim, escrever as equações paramétricas do plano determinado pelos vetores u→,v→ e que passa pelo ponto A:

X=A+t⋅u→+s⋅v→,t,s∈R

em que X é algum ponto do plano. Para cada ponto do plano conseguimos encontrar t e s tais que a equação seja verdadeira. Essa equação ainda pode ser desmembrada em um sistema de equações. Supomos que X(x, y, z), A(a1, a2, a3), u→=(u1,u2,u3) e v→=(v1,v2,v3).

x=a1+t⋅u1+s⋅v1y=a2+t⋅u2+s⋅v2z=a3+t⋅u3+s⋅v3

Exemplo

Descubra se o ponto Q(0, 3, 5) pertence ao plano determinado pelos pontos A(2, 3, 4), B(3, 7, −1), C(−5, 4, 4).

Primeiro montamos a equação do plano. Determinamos os vetores u→ e v→, sendo u→=AB→ e v→=AC→. Valerá:

u→=B−A=(3,7,−1)−(2,3,4)=(1,4,−5)v→=C−A=(−5,4,4)−(2,3,4)=(−7,1,0)

O plano passa pelo ponto A, então escrevemos o sistema de equações:

x=2+t⋅1−s⋅7y=3+t⋅4+s⋅1z=4−t⋅5+s⋅0

Agora vamos descobrir se o ponto Q(0, 3, 5) pertence a esse plano. Fazemos isso substituindo x,y,z exatamente pelos números 0, 3, 5 e resolvendo o sistema de equações. Obtemos, então, o sistema:

0=2+t⋅1−s⋅73=3+t⋅4+s⋅15=4−t⋅5+s⋅0

Da última equação podemos isolar t:

5=4−t⋅5+s⋅05=4−t⋅51=−t⋅5t⋅5=−1t=−15

Substituímos t na segunda equação:

3=3+t⋅4+s⋅13=3−15⋅4+s⋅10=−45+s⋅1s=45

E, por fim, substituímos os valores de t e s na primeira equação, para descobrir se ela é verdadeira:

0=2+t⋅1−s⋅70=2−15⋅1−45⋅70=105−15−2850=−195

A equação não é verdadeira, e o sistema inteiro, portanto, não tem solução: o ponto Q(0, 3, 5) não é um ponto do plano.