Posição relativa entre reta e circunferência
Uma reta e uma circunferência podem se encontrar no plano de apenas três maneiras. A reta ou corta a circunferência em dois pontos, e então a chamamos de secante. Ou apenas a toca em um único ponto, e essa é a tangente. Ou passa longe dela, sem nenhum ponto em comum, e é uma reta externa. Não há outras possibilidades: uma reta não pode ter três pontos em comum com uma circunferência. Um bom exemplo de tangente é uma roda de bicicleta apoiada na rua: ela toca a rua em um único ponto.
Na figura, a reta azul p é secante, a vermelha t é tangente e a verde q é externa. Os pontos em comum estão destacados em laranja. As três retas são paralelas e diferem entre si apenas pela distância ao centro O. E é exatamente dessa distância que se trata.
Pela distância ao centro
A distância do centro a uma reta é o comprimento do caminho mais curto do centro até a reta. Esse caminho é sempre perpendicular: do centro baixamos uma perpendicular à reta e medimos o segmento que vai do centro até o ponto em que a perpendicular cruza a reta. Até qualquer outro ponto da reta a distância a partir do centro é maior, porque um segmento assim é a hipotenusa de um triângulo retângulo, e a hipotenusa é maior que o cateto. Na figura, essas perpendiculares são cinza e tracejadas, e o ângulo reto em cada reta está marcado por um arquinho com um ponto.
Vamos chamar essa distância de d e compará-la com o raio r:
- d < r — a reta está mais perto do centro do que o raio, então entra na circunferência e sai dela. É uma secante.
- d = r — a reta apenas toca a circunferência. É uma tangente.
- d > r — a reta está mais longe do centro do que a circunferência alcança. É uma reta externa.
Na tangente, a perpendicular passa exatamente pelo ponto de tangência, e por isso a tangente é sempre perpendicular ao raio que vai até o ponto de tangência.
Determinamos a distância do centro à reta pela fórmula da distância de um ponto a uma reta. Para o ponto O(m, n) e a reta ax + by + c = 0 vale:
A fórmula exige a reta na forma geral. Se ela é dada, por exemplo, como y = x + 1, precisamos primeiro transformá-la em x − y + 1 = 0, senão substituiremos os números errados.
Vamos experimentar a fórmula com a circunferência x2 + y2 = 25 e a reta 3x − 4y − 25 = 0. A circunferência tem, pela equação da circunferência, centro na origem O(0, 0) e raio
E terminamos o cálculo:
Deu 5, ou seja, exatamente o raio, e a reta é, portanto, tangente à circunferência.
Na figura, a distância d está em vermelho. A perpendicular do centro mede o mesmo que o raio, e por isso termina exatamente sobre a circunferência, no ponto T, em que a reta toca a circunferência.
Esse procedimento é rápido e serve quando só precisamos saber como a reta está posicionada em relação à circunferência. Mas ele não nos revela onde exatamente ela corta a circunferência ou a toca. Para isso, precisamos calcular.
Cálculo dos pontos em comum
Um ponto em comum da reta e da circunferência precisa satisfazer as duas equações ao mesmo tempo, então resolvemos um sistema de equações, como na posição relativa entre duas retas: da equação da reta expressamos uma incógnita e a colocamos na equação da circunferência. Obtemos uma equação do 2º grau, e quantas soluções ela tem, tantos pontos em comum a reta tem com a circunferência. O número de soluções nos é revelado pelo discriminante:
- Δ> 0 — duas soluções, a reta é secante,
- Δ= 0 — uma solução (raiz dupla), a reta é tangente,
- Δ< 0 — nenhuma solução, a reta é externa.
Primeiro exemplo: Temos a circunferência x2 + y2 = 25 e a reta y = x + 1. No lugar de y, colocamos na equação da circunferência a expressão x + 1:
Elevamos o parêntese ao quadrado:
Somamos e passamos tudo para o lado esquerdo:
Dividimos a equação inteira por dois:
Calculamos o discriminante:
O discriminante é positivo, então a reta é secante. As raízes são
ou seja, x1 = 3 e x2 = −4. Ainda não terminamos: procuramos as duas coordenadas dos pontos, não apenas a primeira. Obtemos as segundas coordenadas da equação da reta y = x + 1: para x = 3 temos y = 4 e para x = −4 temos y = −3. A reta corta, então, a circunferência nos pontos P(3, 4) e Q(−4, −3).
Verificação para o ponto P: 32 + 42 = 9 + 16 = 25. Confere, o ponto pertence à circunferência.
Segundo exemplo: Tomemos de novo a reta 3x − 4y = 25 da seção anterior. Já sabemos que ela é tangente, então agora falta encontrar o ponto de tangência. Primeiro expressamos y:
Substituímos na equação da circunferência:
Elevamos a fração ao quadrado, numerador e denominador separadamente:
Para a fração desaparecer, multiplicamos a equação inteira por dezesseis:
Agrupamos os termos e os passamos para o lado esquerdo:
Dividimos por vinte e cinco:
Discriminante:
Zero, portanto a reta é tangente. Isso nós já sabíamos, mas é bom ver que os dois métodos chegam ao mesmo resultado. A única raiz (dupla) é
Terceiro exemplo: Vamos tentar a reta y = x + 10. Depois da substituição em x2 + y2 = 25, surge a equação 2x2 + 20x + 75 = 0 e o discriminante Δ= 202 − 4 · 2 · 75 = 400 − 600 = −200. Um discriminante negativo significa que a equação não tem solução, e a reta é, portanto, externa.
Capítulos: Equação da circunferência, Posição relativa entre reta e circunferência