Função inversa
A função inversa é uma função que associa os elementos “ao contrário” da função original.
Exemplo introdutório
Para começar, vamos pegar uma função afim simples, f(x) = 2x. Como serão os valores dessa função? Por exemplo, para os primeiros números naturais, os valores da função serão assim:
Vemos que, se colocamos o dois na função, volta o quatro. O que deveria fazer a função inversa dessa função? Deveria funcionar ao contrário — deveríamos colocar nela o quatro e a função deveria nos devolver o dois. A função inversa, que indicamos por f−1, deveria associar os elementos ao contrário, isto é, assim:
Como conseguir isso? Se a função original devolvia o dobro do parâmetro x, então a função inversa deveria, ao contrário, devolver a metade do parâmetro x. Se colocamos o três, depois de dobrar temos o seis. Se tomamos a metade do seis, temos de volta o três. A função inversa teria então esta escrita:
Definição
Agora vamos definir a função inversa direito. Seja uma função f com domínio D(f) e conjunto imagem Im(f). Pela definição de função, para todos os elementos x do domínio D(f) temos algum elemento y do conjunto imagem Im(f) para o qual vale f(x) = y.
A função inversa f−1 é então a função para a qual vale:
O que essa definição nos diz? Que, se chamamos a função f com o argumento x e com isso obtemos o valor y, então deve ser possível chamar a função inversa com o argumento y, e ela deve devolver o valor x.
Vamos mostrar tudo ainda em figuras. A primeira figura representa a função original f, que devolve o dobro do valor passado. O círculo da esquerda representa o domínio, o conjunto do qual escolhemos os valores de x. O círculo da direita representa o conjunto imagem, o conjunto dos valores que o valor da função pode assumir. As setas mostram qual entrada é levada a qual saída. É claro que deveria haver ali infinitas setas; isto é apenas uma pequena parte da função.
Segue a figura da função inversa. A função inversa ficará muito parecida; principalmente muda o sentido das setas e mudam o domínio e o conjunto imagem. Eles também trocam de lugar.
Vemos que, originalmente, a função levava de D(f) a Im(f), mas a função inversa leva ao contrário, de Im(f) a D(f). Vale, portanto, que o domínio da função original é igual ao conjunto imagem da função inversa e o conjunto imagem da função original é igual ao domínio da função inversa.
Existência da função inversa
Antes de tudo, vale que a função inversa nem sempre existe, e isso por causa da propriedade fundamental da função. Se tomamos dois elementos iguais do domínio, a = b, a função precisa sempre nos devolver o mesmo resultado, f(a) = f(b). Voltando àquela função que devolvia o dobro, sempre precisa valer f(5) = 10. Não pode acontecer de a função nos devolver, por exemplo, treze: f(5) = 13 — isso não pode ocorrer em uma função, pela definição.
E agora vamos tentar analisar a situação em que temos, por exemplo, a função quadrática f(x) = x2. O que a função nos devolve se a chamamos com os argumentos x1 = 2 e x2 = −2? Nos dois casos a função devolve o valor 4:
Até aí tudo bem. Mas como seria a função inversa? Se montássemos a função inversa dessa função quadrática, teria de valer ao mesmo tempo:
E isso, como sabemos, não é possível. Uma função não pode devolver resultados diferentes para os mesmos argumentos. Quando, então, a função inversa existe? Se para nenhum par de argumentos de entrada a função devolve o mesmo valor. Que é exatamente a definição de função injetora:
A função inversa de uma função f existe se, e somente se, a função f é injetora. Vamos esclarecer ainda em figuras por que realmente não pode existir a função inversa de uma função que não é injetora. Mostremos com setas uma parte da função quadrática f(x) = x2:
Se tentássemos inverter as setas, obteríamos esta figura:
Obtemos uma figura em que de um ponto saem duas setas para números diferentes no segundo conjunto. Isso não satisfaz a definição de função, por isso a função inversa não pode existir.
Significado gráfico
Se você pegar o gráfico de uma função e a função inversa existir, então esses gráficos serão simétricos em relação à bissetriz dos quadrantes ímpares — que é, ao mesmo tempo, o gráfico da função f(x) = x.
Cálculo da função inversa
Se você recebe uma função e a tarefa é calcular a sua função inversa, o procedimento é transformar a função em uma equação e isolar o x na equação. Assim, a função afim que mencionamos primeiro, f(x) = 2x, transformamos assim:
Começamos com isso. O objetivo é expressar x em função de y. Aqui é bem rápido: basta dividir a equação por dois
e temos o x expresso. A função inversa será, portanto,
Substituímos na equação e isolamos o x:
A função inversa ficará, portanto, assim:
Podemos testar. Calculamos o valor da função original com o valor três:
Se calculamos a função inversa corretamente, deveríamos obter de volta o três ao chamá-la com o valor 5:
Outro exemplo:
Isolamos o x:
Agora chegamos a uma situação desagradável. Isso porque não podemos simplesmente extrair a raiz de x2 e obter x; precisamos acrescentar o valor absoluto, ou seja:
Quando substituímos na equação anterior:
Com isso, porém, obtemos dois resultados, um positivo e outro negativo:
O resultado é que, para um y, temos dois x diferentes, exceto quando a raiz é nula. De todo modo, podemos encontrar a função inversa em um certo intervalo. Se observarmos o gráfico da função:
descobrimos que a função inversa poderia existir no intervalo [0, +∞[. Podemos então ficar apenas com a expressão de x1. Nesse momento obtemos uma função cujo gráfico você verá na figura:
Podemos então dizer que, no intervalo dado, existe a função inversa