Volume da pirâmide
A pirâmide é um sólido que você conhece das pirâmides do Egito. Embaixo tem a base, na maioria das vezes um quadrado, e das arestas da base sobem faces triangulares que se encontram no alto em um único ponto, o vértice. O volume da pirâmide revela quanta areia caberia em uma pirâmide dessas, se ela fosse oca.
Em vermelho está pintada a base, cuja área vamos indicar por Ab. Em azul está marcada a altura da pirâmide h — a distância do vértice à base. A altura é perpendicular à base, então não a medimos ao longo da face inclinada, mas na vertical, descendo do vértice.
Fórmula do volume da pirâmide
Se você quer só a fórmula, o volume V de uma pirâmide cuja base tem área Ab e cuja altura é h é
A mais comum é a pirâmide quadrangular regular, isto é, a pirâmide com base quadrada de lado a. A área da base é, então, a área do quadrado Ab = a2, e a fórmula fica assim:
Por exemplo, uma pirâmide com lado da base a = 6 e altura h = 5 tem volume
Por que aparece um terço?
Sem esse terço, a fórmula Ab · h daria o volume do prisma com a mesma base e a mesma altura. A pirâmide é, então, um terço do prisma. Dá para mostrar de um jeito muito bonito, com o cubo, por que é justamente um terço.
Considere um cubo de aresta a e, nele, um canto, que na figura está em laranja. Desse canto estendemos agora pirâmides até as três faces do cubo que não tocam o canto laranja: a de baixo, a de trás e a da direita. Surgem três pirâmides, uma vermelha, uma azul e uma verde. Juntas, elas preenchem o cubo inteiro, sem sobrar espaço e sem se sobrepor:
As três pirâmides são iguais, só que cada uma está posicionada de um jeito. Cada uma tem como base uma face do cubo, ou seja, um quadrado de área a2, e cada uma tem altura a, porque o seu vértice está distante da face oposta exatamente uma aresta do cubo. O volume do cubo é a3 e se divide em partes iguais entre as três pirâmides, de modo que cada uma tem volume
E essa é exatamente a nossa fórmula.
O cubo é, claro, apenas um caso particular, mas o terço vale também nos outros casos. Quando esticamos o cubo na altura ou na largura, ele vira um paralelepípedo, e as três pirâmides se esticam do mesmo jeito — cada uma continua sendo um terço do paralelepípedo. E quando inclinamos a pirâmide, o seu volume não muda. Imagine-a montada, na cabeça, com plaquinhas finas, como uma chaminé de quadradinhos cada vez menores. Se deslocarmos as plaquinhas para o lado, surge uma pirâmide oblíqua, mas as plaquinhas continuam as mesmas e ocupam o mesmo espaço. Esse truque se chama princípio de Cavalieri. Ele funciona também para pirâmides com bases de formatos diferentes: se duas pirâmides têm bases de mesma área e a mesma altura, as plaquinhas em cada altura têm a mesma área, seja a base um quadrado ou um triângulo, e por isso elas têm também o mesmo volume. Por isso a fórmula
vale para absolutamente qualquer pirâmide, reta ou oblíqua, com base quadrada, retangular ou triangular. Só tome cuidado com a pirâmide oblíqua: nela, a altura continua sendo a distância vertical do vértice à base, e não o comprimento da aresta inclinada.
Você vai encontrar o mesmo terço no volume do cone: o cone é um terço do cilindro com a mesma base e a mesma altura. Afinal, o cone pode ser entendido como uma pirâmide que tem, na base, um círculo no lugar do quadrado.
Exemplo: a pirâmide de Quéops
A maior pirâmide do Egito, a de Quéops, em Gizé, tinha originalmente base quadrada com lado de cerca de 230 metros e altura de cerca de 146 metros. Hoje ela é uns oito metros mais baixa, porque lhe faltam o topo e o revestimento externo. Quanta pedra coube nela?
Primeiro a base, que é um quadrado de lado 230 metros:
A base ocupa 52.900 metros quadrados, o que dá cerca de sete campos de futebol. Com isso já calculamos o volume:
Multiplicamos:
Falta dividir por três:
A pirâmide de Quéops tem volume de cerca de 2,6 milhões de metros cúbicos. Se a desmontássemos e usássemos as pedras para encher piscinas olímpicas, cada uma com 50 metros de comprimento, 25 de largura e 2 de profundidade, ou seja, com volume de 2.500 metros cúbicos, encheríamos mais de mil delas.
O terço esquecido sai caro aqui. Quem o omitir obtém mais de 7,7 milhões de metros cúbicos e constrói, na cabeça, duas pirâmides a mais.
Quando não conhecemos a altura
Muitas vezes, porém, não temos a altura da pirâmide à mão, mas conhecemos o comprimento da aresta lateral l — a aresta que vai de um canto da base até o vértice. É assim, por exemplo, em uma construção real: chegar à aresta com uma trena é mais fácil do que chegar à altura vertical lá dentro.
A altura h, a aresta lateral l e a metade da diagonal da base (em vermelho) formam um triângulo retângulo, que na figura está pintado de verde:
A altura cai do vértice no centro do quadrado, e a distância do centro ao canto é exatamente a metade da diagonal do quadrado. A diagonal de um quadrado de lado a mede
Daí isolamos a altura:
Exemplo: Diante do Louvre, em Paris, há uma pirâmide de vidro com base quadrada de lado 35,4 metros e com arestas laterais de cerca de 33,1 metros. Quanto ar há lá dentro?
Começamos pela diagonal da base:
A metade da diagonal é, então, de aproximadamente 25,03 metros. Na fórmula da altura isso fica assim:
Elevamos ao quadrado:
E extraímos a raiz quadrada:
A pirâmide tem cerca de 21,66 metros de altura. Confere: a altura oficialmente divulgada é de 21,64 metros. Com a altura em mãos, calculamos o volume:
Dentro da pirâmide há cerca de 9.000 metros cúbicos de ar. Na pirâmide de Quéops caberiam quase trezentas pirâmides dessas.
Pirâmide com outra base
A base da pirâmide não precisa ser um quadrado. A fórmula
Experimente cortar com uma serra, de um bloco de madeira em forma de paralelepípedo, um canto com um corte inclinado que passe pelos três cantos vizinhos a ele. O pedaço cortado é uma pirâmide triangular: a sua base é um triângulo retângulo e a altura é a aresta vertical do bloco, perpendicular à base.
Digamos que os catetos da base medem a = 8 cm e b = 6 cm e a altura é h = 9 cm. Primeiro encontramos a área do triângulo da base. Em um triângulo retângulo basta multiplicar os catetos e dividir por dois:
Temos a área da base, então o volume é
Do bloco, cortamos 72 centímetros cúbicos de madeira.
Por precaução, vamos conferir o resultado. Essa pirâmide também pode ser apoiada em outra face: a face da esquerda também é um triângulo retângulo, desta vez com catetos b = 6 cm e h = 9 cm, e perpendicular a ela está a aresta a de 8 cm, que agora é a altura. A área da base é
Confere. A pirâmide é a mesma, só que apoiada de outro jeito, e por isso o volume tem de sair igual.
Calculadora
Você também pode calcular aqui o volume de uma pirâmide quadrangular regular. Basta informar o lado da base e a altura; você pode trocar as unidades em cada campo.
Veja também
Capítulos: Volume da esfera, Volume do cilindro, Volume do cone, Volume do cubo, Volume do paralelepípedo reto-retângulo, Volume do prisma, Volume da pirâmide