✖

Exemplos avançados de derivadas

Alguns exemplos de derivadas mais complicadas do que o trabalho básico com fórmulas. Se você precisa de uma explicação da definição de derivada, vá ao artigo sobre a derivada de uma função.

Primeiro exemplo

Começamos com algo ainda não muito difícil.

f(x)=x3⋅e−x

Pelas fórmulas de derivadas de funções sabemos que a derivada da função ex é novamente ex. Infelizmente, não podemos usar esse procedimento simples neste exemplo de forma totalmente direta, porque no expoente não há apenas x, mas −x, de modo que devemos resolver a função dada como uma função composta. No primeiro passo, porém, de qualquer modo nos espera a decomposição pela fórmula do produto.

f′(x)=(x3)′⋅e−x+x3⋅(e−x)′=

Derivamos o polinômio da esquerda pela fórmula clássica e deixamos o resto igual:

=3x2⋅e−x+x3⋅(e−x)′=

Agora precisamos derivar a última função. Como já dissemos, é uma função composta, e por isso devemos derivá-la pela regra das funções compostas:

f(x)=h(g(x))f′(x)=h′(g(x))⋅g′(x)

Assim, a derivada da nossa função ficaria:

(e−x)′=e−x⋅(−x)′=e−x⋅(−1)=−e−x

A expressão e−x permanece igual, porque a derivada de ex é novamente ex e, no primeiro passo da fórmula, derivamos a função externa e deixamos a função interna sem derivar. No segundo passo multiplicamos o nosso resultado intermediário pela derivada do argumento da função, que é a função −x. A derivada da função −x é −1. Agora basta substituir o nosso resultado na expressão anterior:

=3x2⋅e−x+x3⋅(e−x)′=3x2⋅e−x−x3⋅e−x.

Segundo exemplo

Enunciado do segundo exemplo:

f(x)=ln⁡(cos⁡x)tgx

Aqui temos uma fração: no numerador há uma função e, no denominador, outra função. Então, no primeiro passo, vamos derivar pela fórmula da divisão. Após aplicar a fórmula, obtemos:

(ln⁡(cos⁡x))′⋅tgx−ln⁡(cos⁡x)⋅(tgx)′tg2x

Vamos começar pelo fim: derivamos primeiro a tangente, porque podemos derivá-la simplesmente pela fórmula básica. Vale que

(tgx)′=1cos2⁡x.

Após aplicar essa fórmula no numerador da fração, obtemos

(ln⁡(cos⁡x))′⋅tgx−ln⁡(cos⁡x)⋅1cos2⁡xtg2x

Agora precisamos derivar o logaritmo. Infelizmente, dentro do logaritmo temos outra função aninhada, de modo que obtemos uma função composta e precisamos, assim, derivar o logaritmo de modo mais complicado, como função composta. A derivada do próprio logaritmo é 1/x, em que, no entanto, no lugar de x substituímos o argumento do logaritmo, isto é, o cosseno. Além disso, ainda precisamos multiplicar pela derivada do argumento, isto é, pela derivada do cosseno. Então a derivada do logaritmo será assim:

(ln⁡(cos⁡x))′=1cos⁡x⋅(cos⁡x)′=−1cos⁡x⋅senx=−senxcos⁡x

Obtivemos uma fração bem bonita. Se você se lembra bem da trigonometria, sabe que essa fração é igual à tangente. Então podemos escrever que tudo isso é igual a menos tangente:

(ln⁡(cos⁡x))′=−tgx

Substituímos isso, então, no resultado anterior:

=(ln⁡(cos⁡x))′⋅tgx−ln⁡(cos⁡x)⋅1cos2⁡xtg2x=−tgx⋅tgx−ln⁡(cos⁡x)⋅1cos2⁡xtg2x=

No numerador temos duas vezes a tangente, então podemos simplesmente elevá-la ao quadrado. Podemos passar o logaritmo para o numerador da fração seguinte.

=−tg2x−ln⁡(cos⁡x)cos2⁡xtg2x=

Agora podemos separar o numerador e obter duas frações

=−tg2xtg2x−ln⁡(cos⁡x)cos2⁡xtg2x=

Na primeira fração o numerador é igual ao denominador, então obtemos o um. Na segunda fração podemos nos livrar da fração no numerador multiplicando a fração pela expressão cos2x.

=−1−ln⁡(cos⁡x)cos2⁡x⋅tg2x=

Agora podemos decompor a tangente no quociente sen(x)/cos(x). Mas, como temos a tangente ao quadrado, obtemos também na fração o numerador e o denominador ao quadrado. Depois podemos logo simplificar cos2x.

=−1−ln⁡(cos⁡x)cos2⁡xsen2xcos2⁡x=−ln⁡(cos⁡x)sen2x−1.

Esse é o resultado final da derivada.

Terceiro exemplo

Calcule a derivada da função

f(x)=x(x12).

Se não está claramente visível: tudo isso são expoentes, ou seja, “x elevado a x elevado a um meio”. No primeiro passo, fazemos uma transformação pela fórmula:

x=eln⁡x

Com essa fórmula decompomos o primeiro x do nosso exemplo:

f(x)=(eln⁡x)x12

Agora aplicamos a fórmula para o trabalho com potências:

(ab)c=ab⋅c

Eliminamos os parênteses e colocamos em produto o maior expoente com o logaritmo:

f(x)=eln⁡x⋅x12

Agora já temos a função na forma em que será mais fácil derivar. Trata-se de uma função composta, e como tal vamos derivá-la. A primeira função é ex, em que, no lugar de x, substituímos o expoente inteiro, e a segunda função está no expoente. Assim, pela decomposição, obtemos:

f′(x)=eln⁡x⋅x12⋅(ln⁡x⋅x12)′

Vamos derivar a expressão entre parênteses como produto, então aplicamos a fórmula do produto.

(ln⁡x⋅x12)′=(ln⁡x)′⋅x12+ln⁡x⋅(x12)′=

A derivada do logaritmo é 1/x:

=1x⋅x12+ln⁡x⋅(x12)′=

Agora derivamos a segunda expressão, pela fórmula clássica para a derivação de funções potência. Assim, vale:

(x12)′=12x12−1=12x−12=x−122=12x12=12x

Substituímos esse resultado em nosso cálculo:

=1x⋅x12+ln⁡x⋅12x=

Podemos ainda transformar o primeiro produto, novamente com as fórmulas que trabalham com potências:

1x⋅x12=x−1⋅x12=x−1+12=x−12=1x

Reescrevemos a expressão anterior com o cálculo que acabamos de fazer:

=1x+ln⁡x⋅12x=

E por fim passamos o logaritmo para o numerador da fração:

=1x+ln⁡x2x=

Podemos multiplicar a primeira fração por dois (numerador e denominador) e, então, somar as frações:

=22x+ln⁡x2x=2+ln⁡x2x

Agora já podemos voltar à derivada inteira:

f′(x)=eln⁡x⋅x12⋅(2+ln⁡x2x)=

Voltamos a trocar eln x por x:

=xx⋅(2+ln⁡x2x).

Com isso obtivemos o resultado final.