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Exemplos introdutórios de derivadas

Neste artigo mostramos primeiro algumas fórmulas úteis para o trabalho com derivadas e, em seguida, tentamos resolver as derivadas de algumas funções — simples e complicadas. Se você não procura exemplos resolvidos, mas precisa de uma explicação da definição de derivada, vá ao artigo sobre a derivada de uma função.

Derivada de polinômios

Primeiro mencionamos algumas fórmulas de que vamos precisar para resolver as derivadas de funções na forma de polinômio. Na parte esquerda está a função elementar que queremos derivar e, do lado direito, a função resultante depois da derivação. Para constar: c é uma constante (já na primeira linha temos, portanto, a função constante) e derivamos em relação a x.

c′=0x′=1(xc)′=c⋅xc−1

Alguns exemplos concretos:

f(x)=5

Essa é uma função constante; aplicamos, assim, a primeira fórmula e obtemos:

f′(x)=0.

A função linear f(x) = x tem, pela segunda fórmula, a derivada

f′(x)=1,

e não há mais o que investigar. Por isso vamos tentar derivar a função

f(x)=x5.

Aplicamos a última fórmula, em que, no lugar de c, substituímos o expoente, isto é, c = 5.

f′(x)=c⋅xc−1=5x5−1=5x4

A fórmula funcionaria também para expoente negativo, de modo que, se queremos derivar a função

f(x)=x−7,

obtemos:

f′(x)=c⋅xc−1=−7x−7−1=−7x−8.

Para as brincadeiras seguintes vamos precisar das fórmulas para a soma e a multiplicação de funções. E, se quiséssemos obter de volta a função original a partir da função derivada, usaríamos as integrais.

Derivada da soma

Se queremos calcular a derivada de uma função que contém algumas expressões em soma, simplesmente calculamos as derivadas dos termos internos e somamos os resultados intermediários. Escrevemos isso assim:

(f1(x)+f2(x))′=f1′(x)+f2′(x)

Um exemplo simples: tomemos a função f(x) = x + 5. A derivada dessa função será:

f′(x)=x′+5′=1+0=1.

Decompusemos a função em duas funções, assim:

f1(x)=xf2(x)=5

e apenas substituímos na fórmula. Isto é, calculamos as derivadas das funções f1 e f2 e somamos os resultados. De modo idêntico funciona para a subtração. Um exemplo mais complicado:

f(x)=x3+x−8

Novamente derivamos apenas os três termos individuais e os deixamos na soma:

f′(x)=(x3)′+x′−8′=3x2+1+0

Derivada do produto

O produto, infelizmente, já não se resolve tão simplesmente quanto a soma comum; para o produto de duas funções já precisamos usar uma fórmula um pouco complicada:

(f(x)⋅g(x))′=f′(x)⋅g(x)+f(x)⋅g′(x)

Uma função trivial que contém multiplicação é, por exemplo, a função

s(x)=5⋅x2

Na fórmula da multiplicação temos duas funções; obtemos essas funções a partir da função única s(x) assim: f(x) = 5 e g(x) = x2. Agora basta substituir facilmente:

s′(x)=5′⋅x2+5⋅(x2)′=0⋅x2+5⋅2x=10x

Vemos que, se temos uma função da forma

f(x)=a⋅xc,

então obtemos, após a derivação,

(a⋅xc)′=a⋅(xc)′=a⋅c⋅xc−1.

Podemos ainda generalizar essa regra e, no lugar do polinômio, colocar uma função qualquer. Assim, para qualquer função f(x) vale

(a⋅f(x))′=a⋅f′(x).

Então, como exemplo, vamos tentar derivar esta função:

f(x)=5x3−7x2+10

No início da derivação aplicamos primeiro a regra da soma:

f′(x)=(5x3)′−(7x2)′+10′=

Desenvolvemos as expressões em produto segundo a última fórmula mencionada:

=5(x3)′−7(x2)′+10′=

Derivamos as expressões entre parênteses segundo a regra para as derivadas de xc.

=5⋅3x2−7⋅2x+0=

E por fim basta multiplicar os coeficientes:

=15x2−14x.

Derivada do quociente

A derivada do quociente é, por sua vez, um pouco mais complicada que a derivada do produto. A fórmula:

(f(x)g(x))′=f′(x)⋅g(x)−f(x)⋅g′(x)g2(x)

Mas, no mais, o procedimento é análogo ao do produto. Então vamos direto ao exemplo:

(x2+3x+12x−1)′=

O numerador da fração representa a função f(x), e o denominador, a função g(x). E agora basta substituir na fórmula:

=(x2+3x+1)′(2x−1)−(x2+3x+1)(2x−1)′(2x−1)2=

No denominador temos o denominador elevado ao quadrado e, no numerador, a fração desenvolvida segundo a fórmula. Agora derivamos a primeira e a última expressão entre parênteses. Novamente há ali a regra da soma, que vou pular e escrever direto o resultado:

=(2x+3)(2x−1)−2(x2+3x+1)(2x−1)2=…

Ainda poderíamos simplificar essa expressão de algum modo, mas isso já não é importante neste capítulo.

Derivadas de funções elementares

Agora apresentamos, sem mais deduções, algumas fórmulas para o cálculo da derivada de funções comuns.

Exponenciais e logaritmos:

(cx)′=cxln⁡c;c>0(ex)′=ex(loga⁡x)′=1x⋅ln⁡a;a>0∧a≠1(ln⁡x)′=1x

Observe que a derivada da função ex é novamente ex; isso não é erro de digitação, mas uma propriedade agradável, que se tornou a base de muitas e muitas piadas.

Funções trigonométricas:

(senx)′=cos⁡x(cos⁡x)′=−senx(tgx)′=1cos2⁡x(cotgx)′=−1sen2x

Um exemplo simples:

(3senx+2ln⁡x)′=

As duas expressões estão em soma, então basta somar as derivadas das duas expressões dadas. Cada expressão contém no início uma constante que multiplica a função depois dela — sabemos que, neste momento, basta derivar a função e não alterar a constante. Fazemos isso:

=3(senx)′+2(ln⁡x)′=

Essas já são derivadas de tabela:

=3cos⁡x+21x=3cos⁡x+2x.

Derivada de uma função composta

Pelas propriedades da derivada e pela sua aplicação no estudo do gráfico de uma função, sabemos que, sob certas condições, podemos ter duas funções que são deriváveis e cuja composição novamente nos dá uma função derivável. Vamos mostrar como calcular a derivada de uma função composta assim.

A derivada de uma função composta é provavelmente o conceito mais difícil entre essas derivadas básicas. As funções, como tais, podem ser compostas. Você pode ler com mais detalhes o que é uma função composta nos artigos O que é uma função ou Domínio de uma função. Grosso modo, isso significa que passamos como argumento de uma função outra função. A notação simbólica seria assim: h(g(x)). Uma função concreta pode ser, por exemplo,

f(x)=sen(2x).

Quais são as duas funções que há ali? O seno e, depois, a função interna 2x. Nessa função f não podemos simplesmente aplicar a fórmula geral de sen(x), porque ela pressupõe que o argumento seja x, e não 2x. O cálculo da derivada de uma função composta ocorre, então, assim:

f(x)=h(g(x))f′(x)=h′(g(x))⋅g′(x)

Isto é, derivamos a função externa, mantendo o mesmo argumento, e multiplicamos isso pela função interna derivada. No caso desse exemplo com o seno, valeria:

(sen(2x))′=sen′(2x)⋅(2x)′=

A linha apenas sobre o seno significa que derivamos somente o próprio seno, e não derivamos a expressão inteira como na expressão do lado esquerdo da equação. Assim, a derivada do seno é o cosseno, então, no lugar do seno, simplesmente escrevemos o cosseno. E a derivada de 2x é 2:

=cos⁡(2x)⋅2=2cos⁡(2x).

Outro exemplo, um pouco mais complicado.

(cos⁡(ln⁡x2))′=

Aqui temos uma função aninhada a mais. A função externa é o cosseno, a do meio é o logaritmo e a mais interna é a potência x2. Mas procedemos novamente segundo a fórmula. Vamos desenvolver:

=cos′⁡(ln⁡x2)⋅(ln⁡x2)′=

Derivamos apenas o cosseno e deixamos o argumento do cosseno como está, isto é, deixamos ali o logaritmo inteiro. Ainda multiplicamos essa expressão inteira pela derivada do argumento, isto é, pela derivada do logaritmo. Derivamos o cosseno e temos:

=−sen(ln⁡x2)⋅(ln⁡x2)′=

A expressão à direita não mudou, apenas derivamos o cosseno. Agora passamos à derivada do logaritmo. Novamente é uma função composta, então aplicamos recursivamente a fórmula da função composta. Apenas copiamos a expressão da esquerda:

=−sen(ln⁡x2)⋅ln′⁡x2⋅(x2)′=

Derivamos o logaritmo e mantemos o mesmo argumento, isto é, x2. Mas ainda multiplicamos a expressão inteira pela derivada do argumento, isto é, justamente pela derivada de x2. A derivada do logaritmo é a fração 1/x, em que, no lugar de x, substituímos o nosso argumento x2, e a derivada de x2 é 2x.

=−sen(ln⁡x2)⋅1x22x=−sen(ln⁡x2)⋅2x=−2sen(ln⁡x2)x.