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Equações logarítmicas

Uma equação logarítmica é uma equação em que a incógnita costuma se esconder no logaritmando de um logaritmo. A mais simples é, por exemplo, assim:

log2⁡x=3

O logaritmo é o expoente ao qual precisamos elevar a base para obter o logaritmando. A equação pergunta, portanto: a que potência precisamos elevar o dois para obter x? À terceira. Assim,

x=23=8.

O gráfico mostra o mesmo. Procuramos o ponto em que o gráfico da função y = log2 x cruza a reta horizontal y = 3:

O gráfico da função y=\log_2 x cruza a reta y=3 em um único ponto, sobre o número x=8

A função log2 x é crescente, então cruza a reta apenas uma vez e a equação tem uma única solução. Nisso está todo o segredo das equações logarítmicas: tentamos levar tudo a uma forma em que, de um lado, há um logaritmo e, do outro, um número ou também um logaritmo. É um truque parecido com o das equações exponenciais, em que procurávamos bases iguais.

Condições de existência

O logaritmo só existe para números positivos. Quanto é log2(−4)? A que potência elevar o dois para dar −4? A nenhuma, uma potência de dois é sempre positiva. Disso decorre que o logaritmando de todo logaritmo na equação deve ser positivo.

As transformações que faremos com logaritmos, porém, nem sempre são equivalentes e podem perder essa condição em silêncio. Aí aparece uma raiz para a qual a equação original nem sequer faz sentido. Erro típico: resolver a equação mecanicamente, copiar todas as raízes e não conferir se podemos de fato substituí-las no logaritmo.

Podemos nos defender disso de duas maneiras:

  • no início, determinar as condições de existência, isto é, o domínio da equação, e, no final, descartar as raízes que não pertencem a ele,
  • ou, no final, fazer a verificação e substituir cada raiz na equação original.

A verificação é mais segura, porque revela também um simples erro de cálculo. Nas equações logarítmicas ela costuma ser curta, então vale a pena sempre.

Eliminação dos logaritmos

Se conseguimos transformar a equação na forma

loga⁡f(x)=loga⁡g(x),

em que há logaritmos de mesma base nos dois membros, podemos simplesmente “cortá-los” e resolver a equação

f(x)=g(x).

Isso é permitido porque o logaritmo é crescente para base maior que um e decrescente para base menor, de modo que dá o mesmo valor apenas para o mesmo logaritmando. Esse passo se chama eliminação dos logaritmos. Mas atenção: só podemos cortar quando em cada membro há um único logaritmo e nada mais. Cortando na equação log x + log 3 = log 12, não obtemos x + 3 = 12. O primeiro membro precisa antes ser reunido em um único logaritmo, como mostraremos na próxima parte, e só então obtemos x = 4.

Agora vamos testar isso em um exemplo:

log⁡(2x+3)=log⁡(x+7)

Lembremos que log sem base significa logaritmo decimal, isto é, logaritmo de base dez. A base é igual nos dois membros, então eliminamos os logaritmos e o resto é uma equação do 1º grau comum:

2x+3=x+7/−xx+3=7/−3x=4

Verificação: no primeiro membro obtemos log(2 · 4 + 3) = log 11; no segundo, log(4 + 7) = log 11. Confere, os dois logaritmandos são positivos, então a solução é x = 4.

Propriedades dos logaritmos

Muitas vezes há vários logaritmos em um dos membros. Então precisamos reuni-los em um só com as propriedades dos logaritmos. Vejamos a equação

log2⁡x+log2⁡(x−2)=3.

Primeiro as condições de existência. Deve valer x>0 e, ao mesmo tempo, x − 2>0, ou seja, juntando as duas, x>2.

A soma de logaritmos de mesma base é o logaritmo do produto, loga u + loga v = loga(u · v), se u e v são positivos. Reunimos, então, o primeiro membro:

log2⁡(x(x−2))=3

Agora estamos de novo no começo: no primeiro membro um logaritmo, no segundo um número, então basta usar a definição:

x(x−2)=23

Desenvolvemos o parêntese e passamos o oito para o primeiro membro:

x2−2x−8=0

Essa já é uma equação do 2º grau. Fatoramos o primeiro membro em produto (x − 4)(x + 2) = 0, o que dá duas raízes:

x1=4,x2=−2

Pegadinha! O número −2 não satisfaz a condição x>2 e não dá para substituí-lo na equação original, porque log2(−2) não existe. De onde ele veio? Da reunião dos logaritmos. A expressão x(x − 2) tem para x = −2 o valor oito, ou seja, é positiva, então a equação transformada não tem problema com ele. A original, porém, tem. Ao reunir os logaritmos, ampliamos a equação com números para os quais a original não faz sentido.

Verificação para x = 4: log2 4 + log2 2 = 2 + 1 = 3. Confere, então a equação tem uma única solução, x = 4.

Mudança de variável

Às vezes aparece na equação um logaritmo ao quadrado:

log2⁡x−3log⁡x+2=0

A notação log2 x significa (log x)2, isto é, primeiro o logaritmo e só depois o quadrado, e não log(x2). A condição de existência é apenas x>0.

À primeira vista parece assustador, mas, de perto, é uma equação do 2º grau disfarçada. Fazemos a mudança de variável a = log x:

a2−3a+2=0

Fatoramos em (a − 1)(a − 2) = 0, então a = 1 ou a = 2. Ainda não terminamos: procuramos x, e não a. Voltamos, portanto, à mudança de variável:

log⁡x=1⇒x=101=10

log⁡x=2⇒x=102=100

As duas raízes são positivas, então satisfazem a condição. Verificação para x = 100: log 100 = 2, então 22 − 3 · 2 + 2 = 4 − 6 + 2 = 0. Para x = 10 resulta 1 − 3 + 2 = 0. A equação tem duas soluções, x = 10 e x = 100.