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Exercícios resolvidos de cinemática

Você não aprende física lendo, só calculando. A seguir vêm treze exercícios sobre movimento, ordenados da distância percorrida e do deslocamento, passando pela aceleração e pela queda livre, até a aceleração centrípeta. Nos dois últimos os tipos de movimento se alternam. Resolvemos todos eles com o mesmo procedimento: anotação, conversão de unidades, resolução geral, substituição com as unidades, estimativa e resposta com uma frase completa. Tente primeiro resolver cada exercício sozinho e só depois leia a resolução.

Exercício 1: Clara passeia com o cachorro

Clara contorna com o cachorro uma praça quadrada de lado 120 m. Ela sai de um canto e percorre três lados da praça. Que distância ela anda e qual é o seu deslocamento?

Resolução:

s= ? (m)|Δr→|= ? (m)

A distância percorrida é o comprimento da trajetória, ou seja, de três lados da praça:

s=3⋅120m=360m

O deslocamento é a seta do lugar da largada até o lugar onde ela terminou. Depois de três lados do quadrado ela está no canto vizinho ao inicial, então o deslocamento segue pelo quarto lado:

|Δr→|=120m

Clara andou 360 m, mas está a apenas 120 m do lugar de onde saiu. Se ela tivesse contornado a praça toda, teria andado 480 m e o deslocamento seria nulo.

Exercício 2: Subida e descida

Marcos sobe de bicicleta uma colina por uma estrada de 3 km de comprimento com velocidade de 12 km/h e desce pelo mesmo caminho com velocidade de 36 km/h. Qual é a velocidade média dele?

Resolução: Dá vontade de somar as velocidades e dividir por dois, sairiam 24 km/h. Só que a velocidade média é a distância total dividida pelo tempo total e para subir Marcos leva muito mais tempo do que para descer.

s1=s2=3kmv1=12km/hv2=36km/hvm= ? (km/h)

Tudo está em quilômetros e horas, a conversão é dispensável. Os tempos de viagem são t1=s1v1 e t2=s2v2, então

vm=s1+s2t1+t2=s1+s2s1v1+s2v2.

Substituímos:

vm=6km3km12km/h+3km36km/h=6km0,25h+112h=6km13h=18km/h

Para subir, Marcos levou um quarto de hora, para descer, cinco minutos. Ele fez o trajeto inteiro em vinte minutos e quem percorre 6 km em um terço de hora percorreria em uma hora 18 km. Em média, Marcos andou a 18 km/h, não a 24 km/h.

Exercício 3: Helena sai do refúgio

O refúgio de trilha fica à beira do caminho, a 4 km depois do povoado. Helena segue a partir dele, afastando-se do povoado, com velocidade constante de 5 km/h. A que distância do povoado ela estará depois de 1 hora e 12 minutos?

Resolução:

s0=4kmv=5km/ht=1h 12min=1,2hs= ? (km)

Atenção à conversão. Doze minutos não são 0,12 h, mas 1260=0,2h. Helena não parte do povoado, mas de 4 km dele, por isso somamos a distância inicial s0 à distância percorrida, como no movimento retilíneo uniforme:

s=s0+v⋅t=4km+5km/h⋅1,2h=10km

Quilômetros por hora vezes horas dão quilômetros, confere. Em uma hora Helena anda 5 km, em 1,2 h um quinto a mais, ou seja, 6 km, e, com os quatro até o refúgio, são dez. Helena estará a 10 km do povoado. Quem substituísse 1,12 h obteria 9,6 km.

Exercício 4: Tiago alcança a mãe

A mãe sai de casa com o carrinho de bebê a 4 km/h. Depois de um quarto de hora, Tiago percebe que ela esqueceu as chaves e sai correndo atrás dela pelo mesmo caminho a 10 km/h. Em quanto tempo ele a alcança e a que distância de casa?

Resolução:

v1=4km/hv2=10km/ht0=15min=0,25ht= ? (h)

A mãe tem, depois de um quarto de hora, uma vantagem de s0 = v1 · t0 = 4 km/h · 0,25 h = 1 km. No alcance, a distância diminui pela diferença das velocidades:

t=s0v2−v1=1km10km/h−4km/h=16h=10min

Nesse tempo Tiago corre

s=v2⋅t=10km/h⋅16h≈1,67km.

Prova real: a mãe anda 15 + 10 = 25 minutos, ou seja, 2560 de hora, e percorre 4⋅2560≈1,67km. Confere. Tiago alcança a mãe dez minutos depois de sair, a cerca de 1,7 km de casa.

Exercício 5: Guepardo

Um guepardo acelera do repouso até 72 km/h em 2,5 s. Qual é a aceleração média dele? E que aceleração ele tem depois, quando, a partir dessa velocidade, para em 4 s?

Resolução:

v0=0m/sv=72km/h=20m/sΔt=2,5sa= ? (m/s2)

Pela fórmula da aceleração:

a=v−v0Δt=20m/s−0m/s2,5s=8m/s2

O guepardo tem aceleração de 8 m/s2, a cada segundo fica 8 m/s mais rápido. Um carro familiar, que leva dez segundos para chegar a cem, tem menos de 3 m/s2, então o guepardo o venceria com facilidade na largada.

Ao parar, a velocidade cai de 20 m/s a zero em 4 s:

a=0m/s−20m/s4s=−5m/s2

Tomamos como sentido positivo o sentido da corrida; a aceleração negativa significa, por isso, frenagem. Ao parar, o guepardo tem aceleração de −5 m/s2, ou seja, desaceleração de 5 m/s2.

Exercício 6: De que pista um avião precisa

Um avião comercial arranca na decolagem do repouso com aceleração constante de 2 m/s2 e se descola do chão à velocidade de 252 km/h. De que trecho de pista ele precisa e quanto tempo leva para arrancar?

Resolução:

v0=0m/sa=2m/s2v=252km/h=70m/ss= ? (m), t= ? (s)

Não conhecemos o tempo, por isso vem a calhar a relação sem o tempo v2=v02+2as. Para a arrancada do repouso, isolamos nela a distância:

s=v22a=(70m/s)22⋅2m/s2=4.900m2/s24m/s2=1.225m

Calculamos o tempo de arrancada a partir de v = a · t:

t=va=70m/s2m/s2=35s

Conferência com a velocidade média: na arrancada do repouso ela é metade da final, 35 m/s, e em 35 s isso dá 35 m/s · 35 s = 1.225 m. O avião arranca por 35 s e precisa de mais de 1,2 km de pista. Por isso os grandes aeroportos têm pistas de vários quilômetros, com margem para uma decolagem abortada.

Exercício 7: Veado na estrada molhada

Um motorista anda por uma estrada molhada a 60 km/h e avista um veado a 40 m à frente. A reação leva 1 s, no asfalto molhado o carro freia com desaceleração de 5 m/s2. Ele para a tempo?

Resolução:

v=60km/h=603,6m/s=503m/str=1s|a|=5m/s2s= ? (m)

A velocidade fica como fração, para não arredondar resultados intermediários. A distância total é a de reação mais a de frenagem:

s=sr+sf=v⋅tr+v22⋅|a|

Substituímos cada parte separadamente:

sr=503m/s⋅1s≈16,7msf=(503m/s)22⋅5m/s2=2509m≈27,8m

No total são 4009m≈44,4m. O carro não para a tempo, só pararia cerca de 4 m depois do lugar onde o veado está. No seco, com desaceleração de 7 m/s2, bastariam 36,5 m, então no molhado vale a pena andar mais devagar.

Exercício 8: Pedra caindo de uma ponte

De uma ponte soltamos uma pedra, que cai no rio em 1,5 s. A que altura está a ponte acima da água e com que velocidade a pedra chega? Desprezamos a resistência do ar. Quanto tempo ela cairia de uma ponte duas vezes mais alta?

Resolução:

t=1,5sg=9,81m/s2h= ? (m), v= ? (m/s)

Trata-se de queda livre, escolhemos o sentido positivo para baixo:

h=12gt2=12⋅9,81m/s2⋅(1,5s)2≈11m

v=g⋅t=9,81m/s2⋅1,5s≈14,7m/s

Isso dá cerca de 53 km/h. A estimativa com g ≈ 10 m/s2 dá 12⋅10⋅2,25≈11m, confere. A ponte está a cerca de 11 m acima da água e a pedra chega com velocidade de cerca de 15 m/s.

O dobro da altura não significa o dobro do tempo. De t=2hg se vê que o dobro da altura prolonga o tempo de queda só 2 vezes:

t′=2⋅1,5s≈2,1s

Exercício 9: Drone com vento lateral

Um drone voa em relação ao ar com velocidade de 12 m/s e aponta o nariz exatamente para o norte. Sopra um vento leste, ou seja, o ar se move para o oeste, com velocidade de 5 m/s. Com que velocidade o drone se move em relação ao solo e em que ângulo ele se desvia do norte?

Resolução:

v1=12m/sv2=5m/sv= ? (m/s), α= ?

O drone se move de duas maneiras: voa em relação ao ar e o ar o arrasta. A velocidade resultante é a soma vetorial delas e, como as duas velocidades são perpendiculares, usamos o teorema de Pitágoras:

v=v12+v22=(12m/s)2+(5m/s)2=13m/s

Descobrimos o ângulo em relação ao norte pelo triângulo retângulo das velocidades, em que a velocidade do vento é o cateto oposto e a velocidade resultante a hipotenusa:

senα=v2v=513≈0,385,α≈22,6°

A soma simples daria 17 m/s, mas as velocidades não têm a mesma direção. O resultado precisa ser maior que 12 m/s e menor que 17 m/s, e 13 m/s é. O drone voa em relação ao solo com velocidade de 13 m/s e o vento o desvia cerca de 23° do norte para o oeste. Em um minuto ele é levado 300 m para o lado.

Exercício 10: Roda-gigante

A roda-gigante de um parque de diversões tem raio de 20 m e uma volta leva 4 min. Qual é a frequência e a velocidade angular dela e com que velocidade anda a cabine na borda?

Resolução:

r=20mT=4min=240sf= ? (Hz), ω= ? (rad/s), v= ? (m/s)

A frequência é o inverso do período:

f=1T=1240s≈0,0042Hz

A velocidade angular indica o ângulo pleno 2π em um período:

ω=2πT=2π240s≈0,026rad/s

A velocidade da cabine:

v=ω⋅r=2π⋅rT=2π⋅20m240s≈0,52m/s

Em uma volta a cabine percorre a circunferência da roda, cerca de 126 m, em quatro minutos. Isso dá cerca de 1,9 km/h, uma caminhada lenta. Por isso, daria até para embarcar na cabine com a roda em movimento, como nas grandes rodas-gigantes de observação.

Exercício 11: Centrífuga para pilotos

Uma centrífuga de treinamento de pilotos tem a cabine num braço de 8 m de comprimento. Quantas vezes por minuto ela precisa girar para que a cabine tenha aceleração centrípeta de 6g, ou seja, seis vezes maior que a aceleração da gravidade?

Resolução:

r=8macp=6⋅9,81m/s2=58,86m/s2f= ? (Hz)

Da fórmula da aceleração centrípeta acp = ω2 · r isolamos primeiro a velocidade angular e depois a frequência:

ω2⋅r=acp/:rω=acprf=ω2π=12πacpr

Unidades: m/s2m=1s, confere. Substituímos:

f=12π58,86m/s28m≈0,43Hz

Por minuto isso dá 0,432 · 60 ≈ 26 voltas. Uma volta leva cerca de 2,3 s e a cabine se lança com velocidade v = ω · r ≈ 21,7 m/s, quase 80 km/h. A centrífuga precisa girar cerca de 26 vezes por minuto.

Exercício 12: Metrô entre estações

Um trem do metrô arranca da estação com aceleração de 1,2 m/s2 por 15 s, depois anda com velocidade constante por 30 s e por fim freia com desaceleração de 1,5 m/s2, até parar na estação seguinte. Qual é a distância entre as estações e qual é a velocidade média do trem?

Resolução: Dividimos a viagem em três trechos e, em cada um, usamos as fórmulas de um único tipo de movimento.

a1=1,2m/s2, t1=15st2=30s|a3|=1,5m/s2s= ? (m), vm= ? (m/s)

Arrancada do repouso. No fim dela o trem tem velocidade

v=a1⋅t1=1,2m/s2⋅15s=18m/s

e percorreu

s1=12a1t12=12⋅1,2m/s2⋅(15s)2=135m.

Marcha com velocidade constante de 18 m/s, ou seja, cerca de 65 km/h:

s2=v⋅t2=18m/s⋅30s=540m

Frenagem de 18 m/s até parar:

t3=v|a3|=18m/s1,5m/s2=12ss3=v22⋅|a3|=(18m/s)22⋅1,5m/s2=108m

No total:

s=135m+540m+108m=783mt=15s+30s+12s=57svm=st=783m57s≈13,7m/s

As estações ficam a cerca de 780 m uma da outra, o trem as percorre em menos de um minuto com velocidade média de cerca de 49 km/h. Ele só anda na máxima de 65 km/h mais ou menos metade do tempo, por isso a média é visivelmente menor. Uma distância em torno de um quilômetro é comum para um metrô urbano.

Exercício 13: Leitura de um gráfico

O gráfico registra a velocidade do patinete elétrico de Filipe durante doze segundos. Que aceleração o patinete teve em cada trecho, que distância percorreu no tempo todo e qual foi a velocidade média dele?

Gráfico da velocidade v em função do tempo t: de 0 a 4 s cresce de 4 para 8 m/s, de 4 a 10 s é constante, de 10 a 12 s cai a zero

Resolução: Do gráfico lemos a velocidade nos pontos em que muda o tipo de movimento: no início 4 m/s, no tempo 4 s já 8 m/s, no tempo 10 s ainda 8 m/s e no tempo 12 s zero. A aceleração é a variação da velocidade dividida pelo tempo:

a1=8m/s−4m/s4s=1m/s2a2=0m/s2a3=0m/s−8m/s2s=−4m/s2

Isso se vê no gráfico mesmo sem calcular: quanto mais inclinado o trecho, maior o módulo da aceleração. O trecho que sobe significa aceleração positiva, o horizontal nula e o que desce negativa: no terceiro trecho o patinete tem aceleração de −4 m/s2, ou seja, desaceleração de 4 m/s2.

A distância é a área sob o gráfico da velocidade. O primeiro trecho forma um trapézio, o segundo um retângulo e o terceiro um triângulo:

s1=4m/s+8m/s2⋅4s=24ms2=8m/s⋅6s=48ms3=12⋅8m/s⋅2s=8m

No total s = 80 m em 12 s, a velocidade média é

vm=st=80m12s≈6,7m/s.

Conferência: a velocidade média precisa ficar entre zero e a velocidade máxima 8 m/s e, como o patinete andou a maior parte do tempo a oito, ficará mais perto dela. O patinete teve aceleração sucessivamente de 1 m/s2, nula e −4 m/s2, percorreu 80 m e andou em média a cerca de 6,7 m/s, ou seja, 24 km/h.

Com o mesmo procedimento podem-se resolver também problemas em que aparecem forças. Você os encontra no artigo Exercícios resolvidos de dinâmica.